A busca por produtos que tratam das manchas na pele aumenta de maneira significativa. Um aliado nesse processo é o filtro solar, que deve ser utilizado até mesmo no inverno

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Quem poderia imaginar que as tão desagradáveis manchas na pele são resultado de acúmulo de substâncias ou infiltração solar de longa data? Pode parecer mentira, mas cerca de 80% da exposição solar acumulada durante a vida ocorre até os 18 anos de idade, fato que faz com que especialistas recomendem o uso de protetor solar desde os seis meses de idade.

Quem poderia imaginar também que até mesmo em dias nublados e de inverno é necessário se proteger do sol? Nesse período, a incidência de radiação ultravioleta é de 80%.

Os números são alarmantes e revelam a realidade observada atualmente, o que faz com que a população brasileira tome consciência e busque alternativas de tratamentos para os danos que a pele sofreu e, o mais importante, métodos de prevenção.

Existem vários tipos de manchas que aparecem na pele. Podem ser as causadas por fungos como a pitiríase versicolor (infecção fúngica, mais conhecida como micose); manchas causadas por medicamentos como o eritema pigmentar fixo; aquelas desencadeadas ou agravadas por alterações hormonais e gestação, como o melasma; as brancas causadas por doenças autoimunes, como o vitiligo, e a grande maioria causada pela exposição solar excessiva e acumulativa, que inclui as denominadas melanoses solares, segundo informa a dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – regional São Paulo (SBD-SP) e do Hospital Sírio Libanês, Tatiane Zago Curi.

Existe uma predisposição individual, de acordo com as características físicas de cada pessoa, para o desenvolvimento das manchas de pele. “Peles claras, cabelos louros ou claros, olhos verdes ou azuis ou presença de sardas indicam uma facilidade maior para o desenvolvimento dessas manchas”, diz Tatiane.

Normalmente, são causadas pela produção desigual de melanina, substância que dá cor à pele e aos cabelos. “A produção de melanina é ativada pela exposição solar, uma vez que essa substância é uma proteção natural da pele contra os danos provocados pelo sol. Mas essa operação pode começar a apresentar falhas, tanto na produção como no processo de transporte. O resultado é o acúmulo de pigmento em certas zonas, de maneira randômica e desigual, o que provoca as manchas”, explica o gerente de produto RoC, da Johnson & Johnson, Marcus Savoi.

Os tratamentos mais indicados, para quem já adquiriu as manchas, são normalmente realizados com medicamentos locais e, em casos mais graves, com a manipulação de peelings seriados, sessões de luz e lasers específicos e fracionados, realizados em consultórios de dermatologia. “No que diz respeito aos tratamentos com medicamentos tópicos, os princípios ativos são variados e inúmeros, como os à base de ácido retinoico, ácido glicólico, ácido kójico, arbutin, ácido dioico, vitamina C, biowhite ácido fítico, hidroquinona (despigmentante), aqua licorice, antipolln ht e outros”, diz a dermatologia da SBD-SP e do Hospital Sírio Libanês Tatiane Zago Curi. De acordo com a especialista, os ácidos agem diminuindo a espessura do estrato córneo (camanda mais externa da pele), o que acelera a renovação celular, além de estimular a formação de novo colágeno (tecido de sustentação), melhorando a firmeza e o tônus da pele.

A indústria de beleza cujo foco são os dermocosméticos desenvolve ativos específicos, frutos de pesquisa tecnológica. Isso possibilita uma gama maior de opções de tratamento, para os mais diversos tipos de público e necessidades.

Um exemplo é a Johnson & Johnson. Dentro de sua unidade de negócios de beleza, que é composta pelas marcas Neutrogena, RoC, Clean & Clear, Sundown e Banho a Banho, desenvolve a linha de tratamento e prevenção de manchas RoC Soya Unify (dia e noite) e a linha de proteção solar Minesol Actif. Ambas apresentam a tecnologia Total Soya, que age nas manchas pigmentares, como diferencial. “Trata-se de uma tecnologia desenvolvida pelo Centro Mundial de Ciência e Tecnologia da Johnson & Johnson e sua principal função é inibir a transferência da melanina, clareando a pele. Esta tecnologia conserva de forma íntegra duas importantes proteínas da soja: a STI e a BBI, que agem sobre uma enzima que ocorre naturalmente na pele, a PAR2, responsável pela transferência da melanina do melanócito para o queratinócito”, explica o gerente de produto RoC, Marcus Savoi. O executivo esclarece ainda que, como o melanócito não consegue transferir a melanina, ela naturalmente interrompe a produção, chegando-se a uma pigmentação mais uniforme da pele.

COMO APLICAR O FILTRO SOLAR

CONFIRA ALGUMAS ORIENTAÇÕES para serem fornecidas no ponto de venda aos consumidores, que se utilizam de farmácias e perfumarias como os principais meios de informação e escolha para tratamento e prevenção das manchas de pele:

• O protetor solar deve ser aplicado aproximadamente 20 minutos antes da exposição ao sol, de forma homogênea por toda a superfície da pele que vai estar exposta à luz. “A quantidade deve ser suficiente para cobrir toda essa área, ou seja, para um rosto, a quantidade ideal de fotoprotetor deve ser mais ou menos dois gramas (uma colher de café)”, orienta a dermatologista da SBD-SP e do Hospital Síro Libanês Tatiane Zago Curi. A médica enfatiza que a reaplicação deve ser feita a cada duas horas, e também sempre após a imersão em água ou grande transpiração.

• No que diz respeito aos produtos resistentes à água, é preciso atenção. “Vale lembrar que os que são à prova d’água permitem 80 minutos de imersão, enquanto os resistentes à água permitem apenas 40 minutos”, diz a dermatologista e gerente médica da Mantecorp, Liliana Oliveira.

A linha Soya Unif não possui ácidos em sua composição e a associação com filtros solares garante um melhor resultado para o tratamento. “A combinação dos dois produtos tem ação sinérgica: enquanto um clareia a pele, o outro reduz o estímulo à melanogênese”, diz Savoi.

A Farmoquímica, indústria farmacêutica, lançará ainda este ano, dentro da divisão FQM Derma, produtos que tratam das manchas na pele. A empresa desenvolve o princípio ativo lumiwhite, que é responsável pelo bloqueio das três vias de tirosinase (despigmentação): as proteínas cinase A, cinase C e via dos íons Cobre, revela o presidente do grupo FQM, Marcelo Geraldi. Ele conta ainda que a composição da maioria dos produtos para este fim terá a associação de vitamina C estabilizada com ácido glicólico.

PRIVILÉGIO DE QUEM SABE ORIENTAR

A categoria de cuidados com a pele contempla todos os produtos que compõem as rotinas de limpeza, tonificação, hidratação e cuidados especiais. De acordo com a gerente de gerenciamento por categoria da Johnson & Johnson, Patricia Gimenes, os produtos que previnem ou tratam manchas causadas pelo sol pertencem a esta categoria. “Os shoppers que procuram este tipo de produto, geralmente vendidos no canal farma, devem receber do farmacista ou da democonsultora orientações sobre seus diferenciais”, recomenda. A executiva conta que algumas farmácias criam espaços diferenciados para produtos de beleza, algumas delas, inclusive, têm seu foco nesse segmento, por isso são chamados de Beauty Centers. “Os Beauty Centers são referenciais para a shopper na categoria; lá, ela tem certeza de que vai encontrar todos os produtos que procura”, finaliza.

COMO ABORDAR O CLIENTE

A consultora de beleza Lidiane Ferrari lista alguns itens imprescindíveis para que o balconista, farmacêutico ou dermoconsultora saibam indicar o produto adequado ao tratamento das manchas de pele aos seus consumidores:

• Saber o histórico do cliente, quais as atividades rotineiras que ele desempenha, como, por exemplo, se há exposição ao sol frequentemente.

• Saber se já procurou o médico dermatologista.

• Saber se tem acesso e interesse em procurar o produto indicado.

• Saber até quanto ele está disposto a gastar.

• Saber em que medida o problema, no caso, as manchas de pele, incomoda o cliente e o que ele espera do resultado final.

PREVENÇÃO ÚNICA E EFICAZ: PROTETOR SOLAR

A prevenção às manchas de pele é importante e fundamental para que as lesões um dia tratadas não reapareçam. A dermatologista da SBD-SP e do Hospital Sírio Libanês Tatiane Zago Curi explica que o uso diário de fotoprotetor adequado é uma das formas mais eficazes de prevenir o aparecimento dessas melanoses e reforça que até mesmo em dias nublados e no inverno o uso do filtro solar é indispensável. “O fotoprotetor possui efeitos a curto e a longo prazo.

Ele hidrata a pele, deixando-a elástica e com boa textura. O maior benefício vai ser o de prevenir a formação de lesões benignas, mas inestéticas, como melanoses solares, melasma, rugas, perda de elasticidade e fotoenvelhecimento”, diz. A médica fala também que o protetor solar pode prevenir as lesões precursoras de lesões malignas, como queratoses actinicas e os carcinomas. “O produto atua refletindo ou absorvendo a radiação ultravioleta, dependendo do tipo de filtro utilizado. Atualmente, existem os mais modernos que atuam também como antioxidantes, combatendo a ação dos radicais livres”, finaliza.

Escolher o FPS (indicador do poder de um filtro solar) é fundamental. Essa informação vem, normalmente, indicada na embalagem do produto, com um número, que representa o fator de proteção. “Quanto maior o FPS, maior a proteção. Alguns filtros também atuam contra os raios UVA e o indicador na embalagem, geralmente, está descrito como baixa, média ou alta proteção UVA”, informa a dermatologista e gerente médica da Mantecorp, Liliana Oliveira.

A empresa possui grande expertise em protetores solares e a marca Episol é a linha mais completa da Mantecorp, pois possui FPS e veículos (gel, loção, oil free) que se adaptam a diferentes necessidade e tipos de pele. “Para as peles oleosas são recomendados o gel aquoso, o gel alcóolico e o oil free. Para as peles mais secas, a loção e para as peles com áreas com muitos pelos, indica-se o spray. Além dos filtros, as apresentações loção e oil free possuem vitaminas capazes de proteger contra os radicais livres, evitando danos ao DNA celular”, acrescenta Liliana.

A principal causa das manchas de pele são os raios solares, que podem provocar também o envelhecimento precoce, flacidez, queratose actínica (lesões ásperas e acastanhadas na pele, que são consideradas cânceres iniciais) e, em casos mais sérios, o câncer de pele. A escolha do produto ideal, para cada tipo de pele, já que no Brasil existem tantas diversidades, é extremamente importante. Muitos consumidores não têm acesso a médicos dermatologistas e decidem o que usar no ponto de venda, sob orientação e recomendação dos balconistas, farmacêuticos ou, ainda, das dermoconsultoras.

A consultora de beleza Lidiane Ferrari revela que a procura por produtos que tratam das manchas na pele cresceu muito de cinco anos para cá. Segundo ela, isso acontece porque as pessoas estão se conscientizando da importância do tratamento e buscando informações, além de produtos específicos, inclusive para prevenção.

Lidiane informa que, quando um consumidor da classe A ou B chega ao ponto de venda, certamente já consultou um dermatologista antes, ou seja, é um cliente de receituário e está disposto a pagar o produto indicado seja qual for o seu valor. É recomendado perguntar se ele já consultou um dermatologista, antes de iniciar a abordagem com as informações sobre os produtos. Quando os clientes são das classes C, D e E, a busca é na farmácia ou perfumaria, segundo Lidiane. É possível perceber que esses clientes não têm acesso às consultas dermatológicas, nem acham que é necessário ir ao médico para resolver esse tipo de problema. “Se o estabelecimento tem um farmacêutico que saiba identificar as manchas superficiais, ele poderá recomendar os itens dos Beauty Centers”, orienta a consultora. Para ela, 98% da população brasileira vai ter manchas na pele em alguma etapa da vida.

ANOTE NA AGENDA

• Farmoquímica
www.fqm.com.br
• Hospital Sírio Libanês
www.hospitalsiriolibanes.org.br
• Johnson & Johnson
www.jnjbrasil.com.br
• Sociedade Brasileira de Dermatologia
www.sbd.org.br
• Mantecorp
www.mantecorp.com

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